Veja mais
Home / Paróquia / Nossa História / Fundação da Paróquia

Fundação da Paróquia

(texto extraído do Livro Tombo I)

 Desde 1872 acham-se no livro de receitas e despesa assentos de pagamentos feitos aos carpinteiros, e desde Abril de 1875 somente assentos de despesas para alfaias da egreja, e disto pode-se concluir que a primeira egreja foi construída em 1872 a 1875, sendo ella benzida em 30 de Março de 1874. Certo é, como me contaram moradores antigos, que veio o Revimo. Pe. Joaquim Anselmo Coelho da Freiria ainda antes da approvação ecclesiastica da nova Ireguezia, e que foi o capellão, pago pelo povo, pelo menos desde 24 de Dezembro de 1874, porque nesta data se acham os primeiros assentos de baptismos tanto no livro geral, como no dos libertos. O livro de baptismos de livres nº 1 (hoje numerado como segundo na serie) começa porém, com a folha 11, e conforme o calculo que fiz, contando que da folha 12 a 22, isto é, nas 11 folhas seguintes acham-se baptismos de 11 mezes, pode-se suppor que de folha 01 a 11 tinha também baptismos de 11 mezes. Isto dá por resultado, que o Pe. Joaquim Anselmo provavelmente ficou nomeiado capellão curado em Janeiro de 1874. Nada porém, consta quando lhe foi dada a provisão de capelIão. Igualmente nada consta sobre a data precisa da creação da parochia pelo Exmo. Sr. Bispo de São Paulo. Acha-se nos livros de baptismos o ultimo assento com os dizeres: “Baptisei na capella de N. S. do Patrocínio da Freguesia de  Franca… (assignado simplesmente) Pe. Joaquim A. C. Freirira” – a 03 de Junho de 1875, e o primeiro assento que reza: “Baptisei nesta Matriz de N. S. do Patrocínio de Sapucahy…(assianado) Vigário Pe. Joaquim A. C. Freiria” – a 28 de Julho de 1875.

Por isso a data da fundação da parochia é certamente Junho ou Julho de 1875.

Igreja Antiga

Já acima, nesta mesma folha 22, acha-se que a primeira egreja foi construída de
1872 a 1875 e benzida, provavelmente em 1874. Ella achava-se no mesmo lugar onde está o actual templo, tendo a frente um grande cruzeiro, anterior à egreja. Sendo este cruzeiro destruido por um raio, em 1877 por occasião da 1ª missão plantaram outro, que permaneceu até que fosse demolido na construcão da egreja nova. A velha egreja era construída de adobes e tinha apenas a capella-mor, com sacristia, tendo à frente um mal construído puchado ou rancho para abrigar o povo. Relíquias da egreja antiga restam apenas os imprestáveis altares do SS. Sacramento e de São José, 02 cálices, 02 ambulas, 01 custodia, e outrossim as imagens da Padroeira, do Senhor Morto, Senhor dos Passos, vindas estas três imagens de Campo Bello em Minas; a de N. S. das Dores, Sant’Anna e N. S. do Carmo, e a banqueta de castiçais com crucifixo no altar-mor.

Igreja Nova

Em 1886, sob a direção do Coronel Villela, começaram a fazer os alicerces para a egreja nova sendo vigário o Pe. José Pedro de Araújo Marcondes, que em 1887 arranjou 40 milheiros de tijolos, e depois parou o trabalho até a vinda do Pe. Ernesto Peregrino, em 1891. Este incançavel sacerdote com gigantescos estorços, nomeiando2 comissões, uma de homens, outra de senhoras, para pedir esmolas, e fazendo leilões por 7 annos, domingo por domingo, depois da missa conventual na capela da Santa Cruz que servia de matriz provisória, continuou primeiro os alicerces já existentes e as obras na torre – que já estava muito alta – mas vendo que faltou ao edifício um fundamento seguro, demoliu tudo, muniu-se de livros de engenharia e arquitetura, estudou-os com rara pertinácia e aproveitamento, e começou e terminou a atual igreja matriz, não sem gastar por estes enormes trabalhos a sua fraca e preciosa saúde. Em julho de 1896 o interior da igreja esteve pronto, e por ocasião da Visita Pastoral o Exmo. Senhor Bispo de São Paulo Dom Joaquim Arcoverde, a 14 do mesmo mês, benzeu pessoalmente a igreja não podendo porém, consagrá-la por lhe faltar ainda um altar fixo.

Quando morreu este digníssimo sacerdote deixou a igreja pronta e achou no centro dela a sua sepultura. As despesas feitas com a igreja, em dinheiro, eram de 150 a 160 contos de reis sem se falar no extraordinário e valiosíssimo auxilio em trabalhos e materiais prestados gratuitamente. Computando-se em dinheiro o valor dos materiais e trabalhos gratuitos podem-se calcular as despesas com segurança em 350 contos de reis. A mão direita do vigário em tudo isto foi o fabriqueiro Major Álvaro de Carvalho Pinheiro de Lacerda, homem benemérito que se pode chamar o pai desta cidade. Dos 3 altares da antiga Matriz ficaram colocados – um como altar-mor, hoje na capela do SS. Sacramento, outro ao lado da Epístola, que é de São José, e o terceiro ao lado do evangelho que era do Sagrado Coração de Jesus; aquele foi removido em Fevereiro de 1905 para dar entrada na capela do SS. Sacramento, para a qual antes somente se podia penetrar pela capela-mor.

Capela do Santíssimo Sacramento

Esta foi feita no lugar destinado pelo Pe. Ernesto Peregrino, em 1899 à custa de Dona Balbina de Lacerda Monteiro a qual deu também o sacrário novo ali existente, gastando em tudo uma quantia superior a 3:000$000r.
A Via-Sacra foi canonicamente ereta e benzida pelo Pe. Pedro Ribeiro da Silva, Vigário desta Paróquia a 14 de setembro de 1901.

Altar-mor

Pelo mesmo benemérito vigário foi também removido o velho altar-mor e ereto um novo de mármore – fabricado em oficinas Francanas, sendo o sacrário ali existente dado já anteriormente pelo Tenente Coronel Joaquim Goulart d’Andrade (no valor de 1:000$000r).
Custou o altar-mor, menos o sacrário, 8 contos de reis, produto de esmola dos fieis, e do saldo em caixa da extinta irmandade de N.S. do Rosário dos Pretos. O mesmo altar-mor foi sagrado a 18 de outubro de 1903 pelo Exmo. Senhor Bispo de Uberaba, Dom Eduardo Duarte da Silva, com licença do vigário Capitular de São Paulo.

O mesmo Padre mandou vir a maior parte dos paramentos existentes e a imagem de N. S. do Rosário. Sob o paroquiato do Pe. Ernesto vieram as imagens de São José, do SS. Coração de Jesus, de São Vicente e São Sebastião; sob o do Pe. João Estefanio a do Espírito Santo, e sob o do Pe. Heriberto a do Sr. do Triunfo e a figuras do presépio.

Casa Paroquial

No ano de 1891 também foi aberta a subscrição para construção de uma casa paroquial, não me constando o ano em que o Pe. Ernesto começou a habitá-la. Certamente o seu acabamento antecedeu de 4 a 5 anos ao da Matriz.