| Quando a escuridão pode Ajudar |
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| Escrito por Padre Cássio | |||
| Sáb, 13 de Dezembro de 2008 00:00 | |||
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Num povoado isolado e distante, como de costume, a escuridão sinalizava que a noite ia chegar pra valer. Os moradores, aos poucos se recolhiam, as crianças iam para a cama e lá fora reinavam o silêncio e a escuridão. Algum grilo mais ousado ou o barulho do vento nas folhas quebravam o silêncio. Lá do quarto, alguém já deitado, dava corda aos pensamentos... assim girava por cidades, casa de parentes lugares mil. De repente, o pensamento que divagava, passa a ser concentrado na escuridão que reinava fora da casa. Aflorava tal pergunta: Que poderia existir além da escuridão? Tal escuridão seria de fato necessária? De tanto matutar estas idéias o sono chegava, todo astuto, cumprindo seu papel de roubar a solução tão desejada. No dia seguinte, o que restara, era apenas uma mistura interessante de insatisfação e doce expectativa. A própria jornada cumpria a sua missão de entreter e desviar atenção para outros assuntos e problemas. Assim se sucediam os dias até brotar aquelas tais idéias. Certa noite, sorrateiramente, seus pensamentos se voltaram para o problema da escuridão. Desta vez ele usou a estratégia de brigar feio com o sono, que usava táticas pesadas para ser vitorioso. Foi um combate terrível ... disputa acirrada, jogo pesado! Nesta luta de “Davi e Golias”, ele saiu vencedor. Certamente o que lhe incentivou foi o desejo de encontrar alguma resposta para a reflexão sobre a escuridão. Caso contrário, o gigante do sono teria saído com o troféu nas mãos. Deixar a cama, aconchegante e convidativa, foi a arma que ele usou para vencer o teimoso sono. Ao abrir a porta, ele deparou-se com outro mundo, outro ambiente, outro modo de agir. Tudo para ele era muito estranho e fascinante. Mas o fascinante prevaleceu sobre o estranho, pois aquela escuridão servia muito bem para realçar a beleza e a intensidade da luz e do brilho de uma única estrela. Foi uma surpresa agradável perceber aquilo. Ele permaneceu um tempão admirando e contemplando aquele espetáculo. Depois de algumas semanas o pessoal do povoado se preparava para festejar a noite de natal. Era um tal de combinar quem faria as quitandas, os assados para o jantar, os doces e a reza. Só se ouvia: quem iria tomar conta disso e daquilo. Ele não foi escalado para nada, pois criança não tem lugar nas coisas de gente grande. Na noite de Natal, bem na hora da reza, ele pediu para falar e todo mundo de virou para ver quem fazia tal pedido. Ficou vermelho como pitanga e seu rosto pegou fogo! Mas não se incomodou. Então começou a falar da escuridão que está presente todas as noites e da escuridão que cada um tem no coração. Assim como a escuridão do céu abriga e realça a luz e o brilho da estrela, assim também da escuridão do coração pode abrigar e realçar a luz e o brilho da estrela do Menino Deus. Todos disseram a uma só voz: Amém! Aquilo foi o melhor presente de Natal que ele pode receber e pode dar ao pessoal do seu povoado. Ele percebeu que todos saíram alegres da reza... certamente jantaram com maior satisfação naquela noite, pois tinham a certeza de levar, cada um dentro de si, a verdadeira Luz que faz jorrar vida nova em quem a deseja ardentemente. Um feliz e santo Natal para você!
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