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Artigos O Ano Novo pede Paz
O Ano Novo pede Paz Imprimir E-mail
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Escrito por Padre Cássio   
Sáb, 10 de Janeiro de 2009 00:00

A espera pelo Ano Novo era algo extremamente desejado na casa do pequeno Hassan. A expectativa era grande na sua família, pois as dificuldades eram várias: desemprego, problemas de saúde e também outros desafios que deviam ser administrados. Diante de tal quadro, nada animador, o ano novo era sinal de esperança, de tempos melhores e de vida nova. Enquanto na cabeça de “gente grande” a preocupação se concentrava nestes problemas, na cabeça do pequeno Hassan a preocupação era uma só: poder desfrutar da paz. Para ele, pouco adiantaria se os problemas de casa fossem resolvidos e não houvesse, pelo menos, um cheirinho de paz no ar.

A ausência da paz era percebida através dos vários conflitos que ele enfrentava. A separação das pessoas, segundo a raça, não permitia que a cidade fosse uma comunidade, mas dois guetos distintos. Tudo era dividido: espaços, culturas, pessoas, projetos, sentimentos e sonhos ... esta divisão era tão nítida!

Toda essa realidade era percebida e vivida por Hassan, mas no seu coração havia sempre uma faísca bem acesa ... faísca da esperança de que o desejo da paz deveria ser comum nele e em outra pessoa. Foi alimentando este desejo salutar que Hassan conseguiu transpor a linha que sustentava toda aquela separação. Foi através da Internet que ele conheceu sua amiga; uma pessoa defensora da paz.

Com os vários encontros virtuais, a amizade e a estima foram fortalecidas pelo vínculo da paz. Nestes “encontros” muitas informações foram trocadas: idade, preferência musical, a matéria escolar mais apreciada, gosto esportivo, filme preferido, número de pessoas que formavam a família, etc. O nome de cada um não foi revelado, pois Hassan se apresentava por “Amigo da paz” e sua amiga era conectada por “Amante da paz”. O mais importante para esses amigos era o que os unia: desejar ardentemente a paz. Num certo dia, durante um papo animado, Hassan revelou que era palestino e viu na tela do seu computador a resposta: “Que legal!”. Sua amiga, segura pelos laços da amizade, também confidenciou sua verdadeira identidade: “Sou israelense!”. A resposta que recebeu foi: “Que maravilha!”. Tais revelações foram compartilhadas nas respectivas famílias, mas as reações foram frustrantes. Surgiram várias ameaças e repreensões a estes amigos, porém nada teve força para destruir a semente da paz que fora semeada no coração de cada um. Embora fossem proibidos de se encontrar via Internet, a paz já havia vencido os limites impostos e os conflitos existentes.

A paz, já presente no coração de Hassan e Ana, tinha destruído as muralhas de inúmeras diferenças existentes entre eles. Deus, certamente, tinha levado a sério o significado do nome de cada uma dessas crianças, pois Hassan significa bom e Ana, cheia da graça. É preciso que cada um descubra a pitada daquilo que é bom e cheio da graça dentro do coração, pois assim a paz poderá germinar e se tornar uma realidade agradável a todos.

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