| A sabedoria que vem do simples |
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| Escrito por Padre Cássio | |||
| Sáb, 14 de Fevereiro de 2009 00:00 | |||
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Numa tarde de verão, céu azul, mato tinindo de tão verde, podia-se perceber fumaça bem branquinha, que por sorte, não era sinal de incêndio, mas sinal de que o fogão à lenha estava sendo usado. De longe, quem apreciava aquela composição, podia dizer com a boca cheia: parece uma pintura! Não só a chaminé, que parecia um gigante fumando, que ao tragar, precisa logo em seguida, lançar fumaça fora ... todo o conjunto era muito pitoresco e bonito. A pequenina casa, dona daquela chaminé, era uma formosura só: paredes caiadas em tom pastel, telhas simples, flores no jardim e também uma pequena, mas aconchegante varanda. A tal varandinha parecia estar sempre reverenciando a majestosa serra. Ao contrário dos imponentes teatros, local da platéia amplo e palco cênico menor, ali se encontravam um pequeno local para a platéia e um amplo palco cênico. O lugar reservado aos espectadores não era muito disputado, mas também não estava destinado às moscas, pois sempre recebia a visita do “seo Zé”. O senhor Zé era um homem de pouca prosa, grande observador ... um grande admirador daquele maravilhoso cenário que ele apreciava, sentado num banquinho, todo final de tarde. Para o senhor Zé isto era um ritual, pois permanecia imóvel, contemplando toda aquela beleza que se descortinava diante de seus olhos. Foi numa dessas tardes que estive com o “seo Zé” e, de repente, começou a cair água do céu. Ele admirando aquele show da natureza, permaneceu mudo, como que em êxtase. Fiquei curioso e desejoso em saber o que se passava no seu coração. Limpei a garganta na tentativa de criar coragem e começar a matar a minha curiosidade. Não sai vitorioso ... então perdi a cerimônia e perguntei o que significava, para ele, aquele momento. De modo bem simples começou a responder a minha pergunta: este espetáculo da natureza fala muito ao meu coração ... a chuva vem, às vezes de mansinho, às vezes associada ao vento que chega a produzir uma dança que amedronta e até destrói, provoca também o aparecimento da névoa que se encarrega de esconder a beleza da serra. Assim acontece comigo também, pois na minha vida sempre aparecem tardes maravilhosas, mas de quando em quando, aparece uma chuva mais forte e que arrasa e esconde o que possuo de mais belo no meu coração. Fiquei surpreso com o “filosofar” do senhor Zé e cheguei a pensar que o silêncio seria o ponto final da resposta. Mas o danado deu o seu “gran finale” ao dizer: depois que a chuva passa e a névoa se desfaz, o restinho do sol produz um espetáculo ainda maior e memorável; também quando eu permito que a luz brilhe no meu interior, aquilo que trago de bom no coração se torna grandioso e memorável. Depois disso, aceitei o cafezinho, apenas coado, peguei o rumo de casa encantado e querendo guardar comigo a sabedoria do “seo Zé” , na expectativa de um novo encontro.
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A sabedoria que vem do simples



