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Escrito por Padre Cássio   
Ter, 28 de Julho de 2009 12:22

Era uma tarde de inverno, céu cinzento e temperatura adequada para a estação. Chego até à plataforma de embarque e quase não consigo “pegar” o metrô de volta para casa.

Entro no vagão um tanto esbaforido... batimentos cardíacos acelerados e até consigo perceber as gotas de suor que rolam pela face, embora fosse um típico dia de inverno. Tento me acomodar, não obstante o vagão se encontra lotado. Procuro me recompor da agitação e, de repente, me pego acompanhando a conversa de um pequeno grupo que está perto de mim. Busco, inutilmente, não ficar atento à conversa do grupo, mas no meu silêncio, percebo que dou sugestões e exponho minhas idéias. Até a música ambiente, que por sinal é interessantíssima, não consegue desviar minha atenção do que acontece naquele grupo.

Desisto de ser duro no jogo e me coloco como integrante do mesmo, ainda que seja de modo anônimo. Escuto que o papo é sobre caminho... caminho da luz, caminho de São Tiago, caminho da fé e outros mais. Noto que o relato das pessoas possui algo em comum: a busca do transcendente, do divino, do eterno. Percebo que independentemente da denominação que o caminho possua, o ponto de convergência é o caminhar, que desperta no caminhante ou peregrino, o desejo de deixar para trás aquilo que é nocivo, negativo ou supérfluo, pois para trilhar o caminho é necessário o básico, o mínimo... o essencial. Ouço que um deixou para trás mágoas e rancores, outro o egoísmo exacerbado, outro ainda a mania de se achar incapaz de fazer qualquer coisa que fosse boa. O anúncio da próxima estação me faz despertar, pois é a estação que devo desembarcar, porém continuo a caminhar...

O grupo se foi, mas percebi que permaneci muito tocado pelo que compartilhei, embora de maneira silenciosa. O cotidiano de ir e vir, ainda que me servindo do metrô, se tornou um bom exercício de caminhar... caminhar, caminhar, caminhar.

Caminhar para abandonar coisas, chutar pedras pela estrada, levantar e “comer” poeira, escorregar e sentir os pés esmagados e, ainda apreciar a pequena flor que se colocou no meu caminho. Tudo isto faz parte do caminhar que reserva boas novidades para quem ousa colocar-se a caminho.

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